Plataforma B2B · Operação Florestal

Módulo Florestal Early Control e Harvesting

Dois relatórios da operação de eucalipto construídos a partir de soluções que a plataforma já tinha: um diagnóstico do plantio nos primeiros dias e um inventário do que resta na área depois da colheita.

EmpresaBemAgro
PapelProduct Experience Designer
Ano de execução 2024–2026
O que este case mostra

Adaptar soluções existentes a um domínio novo: levar relatórios feitos para outras culturas às perguntas do plantio e da colheita florestal.

Desfecho

Early Control e Harvesting foram lançados publicamente entre agosto e setembro de 2025 e, até o fim da minha participação, estavam em uso por clientes do setor florestal.

Tela do Early Control: mapa de um talhão de eucalipto com as mudas vivas marcadas em círculos verdes e as áreas de falha em vermelho, ao lado do painel de estatísticas. Early Control
Tela do Harvesting: área colhida vista de cima, com cada resíduo de madeira marcado por um traço colorido conforme a sua classe. Harvesting

Quadros do vídeo de lançamento do módulo, publicado pela BemAgro em setembro de 2025.

01

O desafio

O módulo florestal da BemAgro leva o mapeamento aéreo com IA para a operação de eucalipto. Este case trata de duas frentes dele: o Early Control, que diagnostica o plantio nos primeiros dias, e o Harvesting, que analisa a área depois da colheita.

Quem usa são gestores florestais e supervisores de operação de plantio. Eles estudam os relatórios e definem os ajustes aplicados na operação.

O que está em jogo

Os prejuízos na operação florestal são altos. Cada alerta sobre falhas no plantio ou desperdício na colheita ajuda a considerar ajustes finos e evitar perdas.

Onde cada relatório entra no ciclo do eucalipto
  1. Antes do plantio Planejamento Fora deste case
  2. Primeiros dias após o plantio Early Control Quantas mudas sobreviveram e onde estão as falhas?
  3. Anos de crescimento Floresta formada
  4. Depois da colheita Harvesting Quanto resíduo ficou na área, de que tamanho e onde?
Representação didática do ciclo. O planejamento das linhas de plantio também faz parte do módulo, mas fica fora deste case.

O módulo não começou do zero: foi construído a partir de soluções que a plataforma já oferecia para outras culturas e herdou a forma como elas funcionavam. O desafio era levar esses relatórios às perguntas próprias do plantio e da colheita florestal, dentro de uma estrutura que já existia.

Atuei como Product Experience Designer e fui o responsável interino pela solução durante todo o período, trabalhando diretamente com o PO e com o time de desenvolvimento.

Para entender o contexto florestal, combinei quatro frentes:

  • Conversas com clientes do setor florestal
  • Especialistas internos no setor
  • Estudo dos relatórios de base
  • Benchmark e pesquisa do setor

Havia poucas soluções semelhantes para usar de referência. Por isso, o desenho partiu das necessidades dos clientes e de como o produto herdado poderia atendê-las com o mínimo de adaptação viável.

02

Ponto de partida

Cada relatório florestal partiu de um relatório do módulo Monitoring, que já estava em uso em outras culturas.

O que cada relatório herdou
  • Contagem de plantas Identificava e contava as plantas de uma área, em culturas já atendidas pela plataforma.
    Early Control Mudas vivas, falhas e índice de sobrevivência do plantio.
  • Plantas daninhas Mapeava as daninhas e as separava em classes por tipo.
    Harvesting Resíduos da colheita contados, medidos e separados em classes por tamanho.
Herdado pelos dois Estrutura de front-end, forma de funcionamento das soluções e base técnica da plataforma
Representação didática. Os nomes dos relatórios de base são descritivos.

Partir do que existia também definiu os limites do projeto. Estes eram os problemas a resolver:

Problemas do ponto de partida
  1. 01 Padrões herdados Toda a estrutura de front-end veio das soluções de base. O módulo herdou a forma como elas já funcionavam, e o desenho ficou condicionado a esses padrões.
  2. 02 Base técnica com limites A plataforma rodava sobre uma base técnica mais antiga, o que restringiu as primeiras versões das soluções.
  3. 03 Indicadores que o padrão não previa A operação florestal pedia métricas próprias, como sobrevivência e volume de resíduos, e precisava medir, não só identificar e contar. A estrutura herdada também não permitia interações nem gráficos interativos que ajudassem o usuário a reconhecer o indicador que procurava.
As decisões da próxima etapa citam estes números.
Limitações

A adaptação tinha de caber na base existente para chegar ao lançamento. A moldura das telas, com navegação, pedido do relatório e filtros, seguiria o padrão das outras culturas; o espaço de mudança ficava no mapa e no painel de cada relatório.

03

Decisões

Cada decisão adapta um relatório de base às perguntas da operação florestal. Como responsável interino pela solução, levei as propostas de cada relatório e as fechei com o PO e o time de desenvolvimento.

  • 01 Padrões herdados
  • 02 Base técnica com limites
  • 03 Indicadores que o padrão não previa

Medir sobrevivência a partir da contagem de plantas

A contagem já funcionava em outras culturas. No plantio florestal, a pergunta era outra: quantas mudas sobreviveram e onde estavam as falhas.

Minha proposta

Mudar a estrutura da tela para o diagnóstico. Como os dados chegavam resumidos e exibi-los tinha pouca complexidade técnica, ampliei a área do mapa, destaquei as falhas junto das mudas vivas, liguei as áreas selecionadas no mapa aos indicadores do painel e troquei o vocabulário da contagem pelo do plantio florestal.

Concessão

A moldura da tela seguiu o padrão das outras culturas. Cada indicador ganhou a forma mais clara que a base permitia, sem gráficos interativos.

Critério
Clareza do indicador: o gestor precisa achar e entender rápido o número que procura, reaproveitando o que já existia para chegar ao lançamento.
Alternativas
Gráficos interativos para explorar os indicadores, descartados porque a base herdada não permitia.
Situação
Lançado em 2025
Da contagem ao diagnóstico de sobrevivência
Base herdada · contagem
  • Planta identificada
  • Total contado
  1. Identificar plantas
  2. Contar
  3. Total da área
Adaptação florestal · sobrevivência
  • Muda viva
  • Falha
  • Área de falhas
  • Índice de sobrevivência
  1. Identificar mudas vivas
  2. Marcar falhas e áreas de falha
  3. Índice de sobrevivência
Representação didática, com proporções fictícias. As telas reais estão na etapa de entregas.
  • 01 Padrões herdados
  • 03 Indicadores que o padrão não previa

Classificar resíduos com a lógica de classes das daninhas

O relatório de daninhas separava as plantas em classes por tipo. Depois da colheita, o que distingue um resíduo é o tamanho: diâmetro e comprimento.

Minha proposta

O Harvesting nasceu da demanda de um cliente, com indicadores pré-definidos para a operação dele. Mantive a lógica de classes das daninhas, mas abri os limites de cada classe para o usuário ajustar, somei o volume por classe com a opção de vê-la no mapa e propus o mapa de calor da concentração de resíduos. Assim o relatório pôde ser adaptado a todo o mercado florestal.

Concessão

A tela seguiu a moldura do relatório de daninhas, e os indicadores partiram do que o cliente de origem pedia. A abertura para o mercado ficou nos limites ajustáveis, não em indicadores novos.

Critério
Do cliente ao mercado: atender quem motivou a frente sem fechar o relatório nele, mantendo o Harvesting coerente com o resto do catálogo.
Alternativas
Não houve alternativa formal: o caminho partiu da demanda do cliente e das classes que já existiam no relatório de daninhas.
Situação
Lançado em 2025
Das classes por tipo às classes por tamanho
Base herdada · daninhas
  • Uma classe por tipo de daninha
  1. Mapear daninhas
  2. Separar em classes por tipo
Adaptação florestal · resíduos
  • Diâmetro (vertical) × comprimento (horizontal)
  • Quatro classes por tamanho
  1. Mapear resíduos
  2. Classificar por diâmetro e comprimento
  3. Volume e densidade por classe
Representação didática. A tela real de definição das classes aparece logo abaixo.
Definição das classes de resíduo por diâmetro e comprimento, com limites ajustáveis. Trecho do vídeo de lançamento publicado pela BemAgro.
04

Entregas e resultados esperados

As duas frentes foram lançadas publicamente entre agosto e setembro de 2025. Os dois relatórios partem do mapeamento aéreo da área e são gerados com IA; a leitura e a decisão ficam com quem conhece a operação.

Do voo à decisão na operação
  1. Mapeamento aéreo da área
  2. Processamento com IA
  3. Relatório Early Control ou Harvesting
Análise de quem conhece a operação Gestores florestais e supervisores de operação de plantio
  • Ajustes na operação de plantio ou de colheita
  • Uso frequenteRegistro dos motivos das perdas e da taxa de sucesso
Representação didática do caminho de uso. "Uso frequente": na prática, os relatórios muitas vezes servem para registrar perdas e taxa de sucesso da operação.

Early Control · diagnóstico do plantio

Cobre toda a área plantada, sem depender de amostragem manual. O mapa mostra as mudas vivas e as áreas de falha, e o painel reúne área de sobrevivência, área de falhas, plantas vivas e média de plantas por hectare.

Inventário de sobrevivência: mudas vivas, falhas e indicadores do plantio. Trecho do vídeo de lançamento publicado pela BemAgro.

Harvesting · inventário pós-colheita

Analisa a área colhida e conta e mede os tocos e toras que ficaram no lugar, sem medição manual. Os resíduos aparecem no mapa por classe, com o volume de cada uma, e um mapa de densidade mostra onde se concentram. O relatório ajuda a calcular o prejuízo, ajustar a colheita e levantar alertas de desperdício.

Resíduos no mapa, coloridos por classe.
Volume por classe e mapa de densidade.

Trechos do vídeo de lançamento publicado pela BemAgro em setembro de 2025.

Depois do lançamento, os dois relatórios receberam melhorias próprias, separadas das soluções de base.

Sinais observados até o fim da minha participação
  • Os dois relatórios em uso por clientes do setor florestal
  • O cliente que motivou o Harvesting incorporou o relatório à rotina
  • Retorno positivo de quem usava os relatórios
  • Pedidos de melhoria depois do uso

Gestores e supervisores muitas vezes usam os relatórios para registrar os motivos das perdas e a taxa de sucesso do plantio e da colheita.

Hipóteses e indicadores possíveis
EntregaHipóteseIndicador possível
Early Control Com toda a área mapeada, as falhas aparecem mais cedo e o replantio chega onde é preciso. Tempo entre o plantio e o diagnóstico; área replantada por falha encontrada.
Harvesting Resíduos classificados por tamanho mostram onde a colheita desperdiça madeira. Volume de resíduo por hectare entre colheitas; alertas de desperdício tratados.
Operação Perdas registradas no mesmo lugar formam um histórico que orienta os próximos ciclos. Relatórios por talhão ao longo do ciclo; ajustes registrados após cada relatório.

Hipóteses e indicadores propostos para acompanhar os relatórios; não são resultados medidos neste case.

05

Experiência absorvida

Principal aprendizado

Um produto novo pode nascer do que já existe, se a adaptação for guiada pela necessidade real de quem usa. O mínimo viável é mudar só o que responde às perguntas do setor.

Foi o projeto em que aprendi a desenhar dentro de uma estrutura que eu não podia mudar por inteiro. Com poucas referências no mercado, as conversas com clientes e especialistas mostraram o que a operação florestal precisava, e o trabalho foi separar o que a base já resolvia do que precisava mudar.

Como responsável interino pela solução, respondi ao mesmo tempo pelas decisões de produto e de design, do pedido do cliente ao lançamento.

Com quem a solução foi construída
Produto
  • PO da solução
  • PM
Engenharia
  • Front-end
  • Back-end
  • QA
Trade-off mais difícil

Atender o cliente que motivou o Harvesting sem fechar o relatório nele. Os indicadores pré-definidos resolviam a operação desse cliente; os limites ajustáveis foram o caminho para servir o resto do mercado.

O que faria diferente: levaria mais cedo ao time o custo da base técnica herdada, para abrir espaço a gráficos e interações que ajudassem a ler os indicadores.

06

Insights e complementos

Três ideias ficaram fora do escopo lançado. Elas partiram dos limites da base herdada e de como os clientes usavam os relatórios.

Gráficos interativos nos indicadores

Os indicadores apareciam da forma mais clara que a base permitia. Com gráficos interativos e filtros, o gestor exploraria os números por área e por classe e reconheceria mais rápido o que procura.

  • Usabilidade
  • Análise

Alertas automáticos

Avisar o gestor quando a sobrevivência ficar abaixo, ou o resíduo acima, de um limite definido pelo cliente, sem depender da leitura de cada relatório.

  • Dados
  • Usabilidade

Modelos de classes de resíduo

Conjuntos de classes prontos por tipo de operação, para que cada cliente não precisasse definir os limites do zero.

  • Usabilidade