App de esportes · Redesign

Let's Ranking

O redesign de um app independente para marcar partidas entre atletas amadores, e as lacunas de negócio que apareceram no caminho.

ContextoFreelance
PapelProduct Designer
PlataformaiOS / Android
Ano de execução2023
O que este case mostra

Ir além da tela: redesenhar um app já publicado e apontar ao cliente o que o produto ainda precisava resolver para se sustentar.

Desfecho

Parte do redesign chegou a uma versão publicada nas lojas, e o cliente deixou o projeto em pausa. As lacunas de negócio não foram adiante: o orçamento era baixo e o modelo ainda não estava definido.

Telas do Let's Ranking redesenhado, em tema escuro com detalhes em laranja.
01

O desafio

O Let's Ranking nasceu de uma ideia do cliente. Com alguns amigos, ele percebeu como era difícil marcar partidas de esportes diversos e quis um jeito simples, e com elementos de jogo, de resolver isso. Pelo app, atletas encontram quem pratica os mesmos esportes e entram em rankings organizados em grupos regionais.

Era um projeto independente, sem equipe de desenvolvimento. A primeira versão tinha sido feita anos antes, para validar a ideia, mas não contemplava toda a extensão do projeto nem as lacunas de negócio. O cliente estava disposto a investir e me procurou para redesenhar o app. Trabalhei sozinho, em conversa direta com ele.

O que está em jogo

O investimento do cliente na ideia. Um app bem desenhado ainda pode não se sustentar se não estiver claro como ele gera receita e para qual mercado foi feito.

O desafio era oferecer uma experiência melhor e um layout mais moderno, sem descartar o que já funcionava, e mostrar ao cliente o que o produto ainda precisava resolver.

Para entender o produto, conduzi:

  • Conversas com o cliente sobre a proposta do app
  • Estudo das telas da primeira versão
  • Mapeamento dos fluxos
  • Proto-persona a partir do que se sabia do público
Mapa da primeira versão do app, em azul e laranja: telas de início, ranking, desafios, clubes e criação de desafio, ligadas por setas e com notas de entendimento.

Mapa da primeira versão do app, com as notas do entendimento.

02

Diagnóstico

O público é o atleta amador que leva o desempenho a sério e quer uma comunidade por perto. A proto-persona apontou dois problemas do público. Ao analisar a ideia, identifiquei mais três, no produto e no negócio: do jeito que estava, a ideia não se sustentava.

Problemas do ponto de partida
  1. 01Difícil marcar partidasEncontrar parceiros e marcar partidas ou eventos esportivos locais era difícil pelos apps disponíveis.
  2. 02Falta de comunidade ativaQuer se conectar com praticantes da região, mas esbarra nas limitações das plataformas existentes.
  3. 03Monetização indefinidaNão estava claro como o app geraria receita para se sustentar.
  4. 04Produto sem mercado definidoO produto não tinha sido pensado para o mercado, só para o problema que o cliente viu entre amigos.
  5. 05Resultados sem garantiaO ranking dependia de juízes, da conferência dos resultados e de os atletas lembrarem de registrar cada partida.
01 e 02 vêm da proto-persona, não de pesquisa com usuários. 03 a 05 vêm da minha análise da ideia.
Limitações

Projeto independente, sem equipe de desenvolvimento e com orçamento baixo.

Lucas, proto-persona do Let's Ranking
Nome: Lucas Idade: 27 anos Profissão: Analista de sistemas Localização: São Paulo, SP

Necessidades e objetivos

  • Monitoramento de desempenho: acompanhar a evolução em diferentes modalidades ao longo do tempo.
  • Networking esportivo: conectar-se com outros atletas para treinos conjuntos e eventos locais.

Comportamentos

  • Analítico: valoriza estatísticas para alcançar novos recordes pessoais.
  • Proativo: busca oportunidades para melhorar e expandir sua rede de contatos.
03

Decisões

Todas as propostas foram minhas. Antes da versão final, levei ao cliente uma pauta por módulo (clubes, desafios, perfis e rankings) com as perguntas que precisavam de resposta: como cada parte seria definida, o que deveria aparecer e como o usuário interagiria. As respostas definiram o escopo de cada módulo e orientaram as decisões abaixo.

Tela do clube levada na pauta: capa, esportes, calendário de atividades, ranking de membros, locais de jogo e mapa.
Tela de desafios levada na pauta: busca, filtros por esporte, botão Criar Desafio, agenda e lista de desafios.
Duas telas de perfil levadas na pauta: o próprio perfil, com agenda e conquistas, e o de outro atleta, com Desafiar e Seguir.
Pauta do módulo Rankings: a tela inicial com a aba de rankings em destaque e as perguntas sobre como os rankings seriam definidos, por esporte e categoria, e se haveria um ranking geral e um por clube.
  • App já publicado

Manter a identidade, reorganizar a navegação e padronizar as telas

Minha proposta

Manter a identidade já estabelecida, com a marca e o laranja, e concentrar a mudança na usabilidade, a começar pela navegação: a barra inferior passou a reunir início, rankings, desafios, clubes e perfil. Uma biblioteca de componentes deu consistência às telas e tornou o uso mais direto.

Critério
O app já estava publicado e o orçamento era baixo: aproveitar o que o cliente já tinha e concentrar o investimento na usabilidade.
  • 01 Difícil marcar partidas
  • 02 Falta de comunidade ativa

Cadastro por esporte, nível e localização

Minha proposta

O cadastro passou a perguntar os esportes, o nível em cada um e onde a pessoa pratica, para sugerir clubes e parceiros próximos desde o primeiro acesso.

Critério
Sugerir clubes e parceiros desde o primeiro acesso depende de saber o esporte, o nível e onde a pessoa joga. O nível também alimenta o nivelamento dos desafios.
Cinco telas do cadastro: dados pessoais, escolha dos esportes, nível em cada esporte, permissão de localização e boas-vindas.
  • 01 Difícil marcar partidas
  • 05 Resultados sem garantia

Desafios mais fáceis de criar e de validar

Minha proposta

A criação de desafios ficou mais clara, com sugestões de usuários, indicação de atletas da mesma categoria e um sistema de nivelamento. Para os resultados, sugeri a confirmação pelos dois atletas, a validação pelo organizador do clube e lembretes para registrar cada partida. Chat e agenda também entraram, para combinar e acompanhar as partidas.

Concessão

A validação continuou dependendo dos próprios atletas. As sugestões reduziam o risco, mas não o eliminavam.

Critério
Marcar uma partida precisa ser rápido, e o resultado precisa ser confiável para o ranking valer.
Três telas: criar desafio, com título, modalidade, tipo de desafio, atleta desafiado e data; o detalhe de um desafio público de clube; e o de um desafio direto, com os botões Aceitar, Argumentar e Negar.
  • 01 Difícil marcar partidas
  • 02 Falta de comunidade ativa

Clubes por perto, em lista ou no mapa

Minha proposta

Os clubes aparecem pela distância de quem usa, em lista ou no mapa. A página de cada clube reúne esportes, agenda, ranking de membros e locais de jogo.

Critério
A distância é o primeiro filtro de quem procura parceiros: a partida acontece onde os dois conseguem jogar.
Três telas: clubes no mapa, o mesmo mapa com um clube selecionado e a página do clube com esportes, calendário, ranking de membros e locais de jogo.
  • 02 Falta de comunidade ativa

Um perfil com todos os esportes

Minha proposta

Na primeira versão, cada esporte tinha um perfil e uma pontuação separados. O redesign reuniu tudo num perfil só, com a lista de esportes, a agenda, as conquistas e os clubes.

Critério
Um atleta pratica vários esportes. Perfis separados dividiam a pontuação e a presença dele na comunidade.
Três telas de perfil: o próprio perfil com agenda e conquistas, e o perfil de outro atleta com os botões Desafiar e Seguir.
  • 02 Falta de comunidade ativa
  • 05 Resultados sem garantia

Rankings e elementos de jogo

Minha proposta

O idealizador ainda não sabia como os rankings funcionariam, e sugeri um caminho: rankings por esporte e categoria, um ranking geral do Let's e um por clube, com pontos somados a cada desafio validado. Os elementos de jogo vinham de conquistas no perfil, de um nível que muda conforme os resultados e de campeonatos em destaque na tela inicial.

Concessão

Sem uma regra definida pelo cliente, os rankings ficaram como sugestão, não como um fluxo fechado.

Critério
Competição justa entre atletas de nível parecido e um motivo para voltar ao app depois de cada partida.
  • 03 Monetização indefinida
  • 04 Produto sem mercado definido
  • 05 Resultados sem garantia

Apontar o que o produto precisava resolver

Minha proposta

Mostrei ao cliente que, sem um modelo de receita e sem um mercado definido, a ideia não se sustentava, e sugeri fontes de receita para quatro públicos: atletas, clubes, espaços e profissionais do esporte, e marcas.

Critério
Sem receita e sem mercado definidos, um bom redesign não sustenta o produto.
Fontes de receita sugeridas
Atletas
  • Plano premium
  • Inscrição em campeonatos
Clubes
  • Filiação de clubes locais
  • Assinatura para clubes
Espaços e profissionais
  • Escolas e academias
  • Reserva de quadras
  • Professores e treinadores
Marcas
  • Patrocínio de campeonatos
  • Anúncios no app
  • Parcerias com marcas
  • Prêmios patrocinados

O risco dos resultados pesou junto: o app dependia muito da cultura esportiva de quem usava. Isso fez o idealizador perceber que a ideia não era tão completa quanto imaginava. Com orçamento baixo e sem um modelo definido, ele não seguiu com essas lacunas.

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Entregas e resultado

Os wireframes organizaram os fluxos com a nova navegação. Depois da aprovação, o protótipo trouxe a identidade final com a biblioteca de componentes.

Wireframes de login, cadastro, perfil, busca de clubes e detalhe do desafio.

Wireframes: login, cadastro, perfil, busca de clubes e detalhe do desafio.

Protótipo final: abertura do app e login com a marca Let's Ranking em laranja sobre fundo escuro.
Protótipo final: abertura e login.
Duas telas de desafios: a agenda com a lista de desafios e o botão Criar Desafio, e os filtros por tipo de desafio e esporte.
Desafios: agenda e filtros.

O protótipo cobriu todos os fluxos da nova versão: login, cadastro, menu principal, visão de mapa, clubes, perfis e desafios. Abrir o mapa completo do app.

Sinais observados

A publicação ficou com o cliente. Parte do redesign chegou a uma versão nas lojas; depois, ele deixou o projeto em pausa, e não acompanhei mais.

05

Experiência absorvida

Principal aprendizado

Um bom redesign não sustenta um produto sem modelo de negócio. Questionar a monetização e o mercado também é trabalho de quem desenha o produto.

A experiência melhorou minhas habilidades em UI, design system e mobile e me fez questionar mais o modelo de negócio e o produto a ser desenvolvido.

Trade-off mais difícil

Tela × negócio. O orçamento permitia redesenhar o que já existia, mesmo com as lacunas de negócio em aberto. Entreguei o redesign e deixei apontado o que o produto ainda precisava resolver.

O que faço hoje: questiono o modelo de negócio e o mercado desde o início, antes de desenhar a primeira tela.